06.07.09

Final

Enviado em Poesia tagged , , , , , às 20:25 por ari donato

Apocalipse // Pintura visionária de Guilherme de Faria (São Paulo, 1943), de 1964, 170x210cm, a óleo sobre chapas de Duratex, da coleção do cineasta Hector Babenko.

Apocalipse // Pintura visionária de Guilherme de Faria (São Paulo, 1943), de 1964, 170x210cm, a óleo sobre chapa de Duratex, da coleção do cineasta Hector Babenko.

Na espreita, sente que ainda respiro.
Vem, arranca-me o último suspiro
e do peito separa-me a vida,
qual a borboleta da crisálida.

Tétrica. Ronda mi’a carne efêmera,
na disputa breve com a terra,
e envolve meus esquálidos ossos,
imóveis, lançados no fosso.

Mais não terá, se mais nada resta
para animar-lhe a funesta festa.
Ainda assim, segue sem clemência!

Quedo, sem medo, não sou sua presa!
Uma luz clareia-me a certeza:
- Tenho livres, alma e consciência.

2 Comentários »

  1. Olá Ari! Adorei ver o meu Apocalipse ilustrando aqui o seu forte soneto, que combina mesmo com o quadro, pois tem elementos “tétricos”, de ossos e de terra…
    Fique tranquilo, sirva-se de meus quadros se outros também o inspirarem, pois gosto de vê-los se espalhando, mormente se for em belos blogs como o seu.
    Abraços
    do Guilherme de Faria

  2. ari donato disse,

    Muito obrigado, meu caro Guilherme. Muito obrigado, pela cessão da postagem e pelas palavras de carinho. Abraços.


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