02.23.09

Téo Azevedo de Monte Belo

Enviado em Biografia tagged , , , , , às 14:32 por ari donato

O PEQUI, fruto do pequizeiro, é nativo do cerrado brasileiro e muito empregado na culinária no norte de Minas Gerais e no oeste e sudoeste da Bahia. De sabor peculiar, é consumido cozido, puro ou misturado com arroz ou feijão. Sua safra é de setembro a fevereiro, em Rondônia, Minas Gerais, Pará, Tocantins, Maranhão, Piauí, Bahia, Ceará e Goiás.

De cor verde quando maduro, o pequi tem no seu interior de um a quatro caroços, pesando em média 8 gramas cada e revestidos por uma polpa macia amarelo-alaranjado. A polpa é a parte comestível e de onde é extraído o azeite, ou óleo de pequi, muito usado em condimentos e na fabricação de licor.

Pequi descascado, em foto de José Felipe Ribeiro (http://vegvisir.wordpress.com)

Pequi descascado, em foto de José Felipe Ribeiro

O pequizeiro, ou Caryocar brasiliense, nativo de regiões de Cerrado, atinge até 10 metros de altura. Seu tronco chega a 50 centímetros de diâmetro e cada planta fornece em média 6 mil frutos por ano. A polpa deve ser comida com auxílio das mãos, sem talher. Ela cobre uma camada de espinhos que, se mordidos, fixam-se por toda a boca.

Quase meio-século depois de Teddy Vieira de Azevedo (1922-1965), em São Paulo, cantar a façanha dos desbravadores sulistas nas modas de viola Rei do café (1958), em parceria com Carreirinho, e Rei do gado (1958), o mineiro Téo Azevedo, de Alto Belo, no município de Bocaiúva, região de Montes Claros, compôs Rei do pequi (2003). 

A moda foi gravada pela dupla Raimundo & Edmundo no volume 2 da série Brasil com “S”. A série, lançada pela Kuarup (2003) em dois discos e somando 24 composições de Téo Azevedo e parcerias diversas, marcou os 60 anos de canções deste compositor, violeiro, escritor e produtor fonográfico. Veja, abaixo, a primeira estrofe, seguida das duas últimas, da moda de viola:

Já inventaram tanto rei, que é rei pra todo lado
Foi um tal rei do café, e também o rei do gado.
Tem rei pelo mundo inteiro, comandando até nação
Tem o rei do futebol e até rei da canção.
XXX……………………….
Já que todo mundo é rei, tá sobrando até rainha
Vou dar a minha esporada, igual a um galo de rinha
Valorizo a minha terra, com saga e com alegria
Minha tribuna é a viola; advogado é a poesia.

Eu valorizo o pequi e a ele dou valor
Sou um homem do sertão, um poeta cantador
Sou da beira do Rio Verde, onde canta a juriti
Sou filho de Alto Belo, eu sou o rei do pequi.

A ligação de Téo Azevedo com o pequizeiro reforça o compromisso dos mineiros com esta árvore, eleita por eles em votação pela Internet como a que melhor representa o Estado de Minas Gerais, em concurso feito pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF) em 2002. Foram 31.229 votos, de um total de 49.769, contra 8.563 para a sucupira, em segundo lugar.

Este matuto, que em 1998 criou o selo fonográfico Pequizeiro Produções Artísticas (encerrado dois anos depois, com cerca de 160 títulos, de vários autores), nasceu no dia 2 de julho de 1943, em Alto Belo, distrito do município de Bocaiúva, no norte de Minas Gerais, que se destaca pela folia de reis, das mais expressivas do País.

Téo Azevedo, em detalhe da capa do CD Brasil com "s", Volume 01

Téo Azevedo, em detalhe da capa do CD Brasil com "s", Volume 01

Até os 16 anos, ele viveu nesta região, entre os vales dos rios Jequitinhonha e São Francisco, distante cerca de 400 quilômetros do município de Guanambi, no sudoeste da Bahia. Durante a infância, absorveu os ensinamentos do seu pai, Teófilo Isidoro Azevedo (1905-1951), Tiófo, tropeiro, lavrador, aboiador, comerciante, folião de reis, cantador e repentista.

Devido a dificuldades enfrentadas pela família, somente concluiu o primeiro ano do curso primário. Aos 8 anos de idade, morando com a família em Montes Claros, trabalhou como engraxate para ajudar a mãe, dona Clemência, até deixar tudo e seguir para Belo Horizonte, no início dos anos 1960, para se apresentar nas ruas da capital mineira como repentista, passando, depois, para casas de shows.

Gravou seu primeiro disco em 1965, em acetato, no antigo Estúdio Discobel, em Belo Horizonte, em que interpreta a canção de domínio público Cálix Bento (gravado por Milton Nascimento no disco Geraes, em 1976), à qual acrescentou três estrofes às três originais e deu o nome de Deus te Salve, Casa Santa, com mudança também na melodia original cantada no norte de Minas. Foi regravada em 2001, no disco Cantos do Brasil Puro, lançado pela Kuarup.

Valendo-se desse processo independente muito comum na época, do disco de acetato (alumínio revestido com substância especial, para gravações fonográficas), Téo Azevedo gravou cerca de 300 canções. O jornalista e pesquisador de cultura popular Assis Ângelo escreveu no encarte de Cantos do Brasil Puro ser Téo Azevedo “o compositor brasileiro ainda em atividade que mais músicas tem gravadas até agora: cerca de 1.500”.

Entre seus intérpretes, estão artistas de renome, a exemplo de Luiz Gonzaga, Sérgio Reis, Clemilda, Tião Carreiro, Zé Ramalho, Tonico e Tinoco, Cascatinha e Inhana, Zé Coco do Riachão, Caju e Castanha, Milionário e José Rico, Banda de Pífanos de Caruaru, Christian e Ralf e muitos outros.

Em 1978 venceu o Primeiro Festival de Música Sertaneja promovido pela Rádio Record de São Paulo com a toada Ternos pingos da saudade, sobre o poema de Cândido Canela, com melhor melodia, melhor letra e melhor interpretação. Em 1980, descobriu o violeiro, tocador de rabeca e construtor de instrumentos Zé Coco do Riachão, do qual produziu os primeiros discos.

Os principais discos de Téo Azevedo são:

* Grito Selvagem (1974) Independente LP
* Brasil, Terra da Gente (1978) Copacabana LP
* Morte de vaqueiro (1979) Copacabana LP
* O canto do cerrado (1980) WEA LP
* Cantador Violeiro (1987) Copacabana LP
* Forrozeiro calangueiro (1993) Copacabana LP
* Cultura popular (1993) Independente LP
* Guerrilheiro da natura (1994) Brasidisc LP
* Cantador de Alto Belo (1999) Eldorado CD
* Solos de Viola em dose dupla (1999) Eldorado CD
* Folia de Reis de Alto Belo (1999) Eldorado CD
* Forró, Calango e Blues (2000) Eldorado CD
* Téo Azevedo 50 anos de cultura popular / Cantos do Brasil profundo (2001) Kuarup CD
* Téo Azevedo/Fernanda Azevedo e convidados (2002) EMI CD
* Brasil com “s” Téo Azevedo e convidados Vol.1 (2003) Kuarup CD
* Brasil com “s” Téo Azevedo e convidados Vol.2 (2003) Kuarup CD

02.18.09

Mais uma lua cheia

Enviado em Poesia tagged , , , às 21:44 por ari donato

pombasCheia, no alto, brilha a lua.
É a sétima ou a décima,
neste céu de desamor.

Luz a me iluminar a alma,
e a formar a imagem sua,
que abrolha em silhueta,

de contorno, fino, frágil,
qual a borda de uma flor.
Suave, dócil. Tão perfeita!

Até que nuvens espessas
estendem-se, qual um véu.
E vento e tormenta levam

para longe o prateado.
Abruma o infindo céu.
Límpida, na fonte, a água

desce, macia, da encosta.
Meneia, para saciar
Quem lhe tocar com os lábios.

Impotente, aqui, incapaz,
perco-me, a ver o luar,
sem poder colher-lh’os raios.